-Você que é feia e esquisita.
-E você é chato, insistente. Já falei que não vou dar, eu comprei então é meu.
-Chorona, vou embora.
E eu pensando que ele realmente tinha desistido e ido embora. Aiai, tadinha de mim. Foi nesse descuido que ele se virou me assustando e finalmente roubando a droga do pirulito. Realmente não me deixou em paz enquanto não o tomou.
-Agora eu vou indo sua besta.
-Vai mesmo! Já não te aguento mais.
De tanta raiva que eu estava nos meus olhos começaram a surgir pequenas poças de água. Ele não desistia nunca. Ele não saia do meu pé. Fazendo-me não entender o motivo de tanta implicância.
Tinha dias que minha cabeça quando eu chegava em casa para almoço doía sem piedade.Tudo por culpa dele que passava a manhã inteira puxando cada fio do meu cabelo com uma maldade repugnante.
As semanas se passaram e a convivência com ele obviamente aumentou. Foi ai que eu notei que meus pensamentos em relação a ele começaram a mudar. E eu percebi também que eu tinha mudado.
Naquela manhã foi tudo estranho e diferente. Eu levantei lembrando-me dele. Tinha sido quase tudo normal: Eu tomei banho, coloquei a farda, tomei meu café. Mas de repente na hora de arrumar o meu cabelo e escovar meus dentes decidi mudar. Arrumar-me mais mocinha. Passar batom e ir de cabelo solto pra escola. E assim eu fiz.
Quando eu entrei na sala percebi toda uma inquietação em mim. Com uma necessidade extrema de sair. Querendo saber se ele já havia chegado também. Até que eu pedi permissão a professora para sair pois precisava muito ir ao banheiro. Ela consentiu.
Eu andava no pátio olhando para os lados tentando encontrá-lo. E consegui. Ele me viu e começou a vir em minha direção. Comecei a reparar como ele era tão liiiiiiiiiiindo. Naquele instante senti meu coração acelerar de uma forma irreconhecível. Parecia querer sair pela minha boca.
Eu estava à beira de um ataque sem saber como agir ali. O que dizer quando ele me alcançasse? Eu queria um espelho para ver se eu meu cabelo estava no lugar e se o batom ainda chamava atenção. Depois eu parei sem entender porque eu estava agindo daquela maneira. Senti-me confusa como jamais estive. Voltei a mim quando ouvir a voz dele dizer:
-Oi, beleza?
Eu não sabia o que responder. Eu suava dos pés a cabeça. O máximo que consegui foi gaguejar:
-O-o-o-o-o-i-i-i
Ô neném! Continua logo. Ta interessante.
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